PAZ

quarta-feira, 6 de junho de 2012 |





“Elevo meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre”. (Salmo 121)


Um dos contos que mais gosto fala de um rei que queria uma pintura que retratasse a verdadeira paz. E para isso ele realizou uma grande competição em seu reino. E após o tempo designado os artistas trazem seus quadros que relatavam a real paz que sentiam em seu coração. E após vários olhares críticos do rei, somente duas pinturas restaram, as quais o rei pediu tempo para refletir sobre ambas. “A primeira era um lago calmo e cristalino onde refletiam as imagens de montanhas e árvores que o ladeavam. O céu era de um azul perfeito e todos os que fitavam a pintura enxergavam nela um profundo conteúdo de paz”. Enquanto a “segunda pintura tinha um quebra-mar sobre rochas escuras e sem vegetação. O céu enegrecido, pontilhado por raios e trovões, precipitava uma grande tempestade”. Definitivamente esta segunda pintura não revelava nenhuma paz. Então o rei observou atentamente e percebeu que no alto das rochas, em meio a uma fenda crescia um arbusto. E no arbusto tinha um pequenino ninho. E dentro do ninho, em meio ao mar revolto e o céu tempestuoso, um pequeno passarinho descansava calmamente.

Quando li essa parábola me emocionei. E você deve estar ao mesmo tempo, certo de qual pintura o rei escolheu e duvidando que tenha sido esta e esperando o final da história e a lição de moral. Mas sinto muito, ela não vem agora, só no final do post. Hahahaha.

O texto do salmista, que na verdade é um cântico de romagem. Que nada mais é do que um cântico que os israelitas cantavam enquanto peregrinavam a caminho do templo. Nada mais é do que um hino viajante.

E é justamente neste contexto de viagem de vida que quero compartilhar alguns acontecimentos recentes, ou não. Mas primeiro gostaria de me apresentar formalmente.

Sim, sou namorado de Ellen Ventura. Começamos a namorar no dia 24 de março de 2012. Mas vivo mesmo a bastante tempo antes disso. Só não nasci na igreja, porque como diz minha mãe, “ela não é maternidade”. Mas fui alçando pela graça de Deus aos meus 14 anos, na cidade de Garanhuns, 4 anos antes de ver Ellen pela primeira vez, e na mesma cidade que ela mora. E de lá pra cá, vivo altos e baixos, como todo cristão em processo de santificação. E são nestes últimos dias que tenho vivido mais tempos de paz real, em meio a muitas tribulações.

Você já viveu dias que você não quer sair da cama?

Já chegou a tentar relatar coisas que acontecem na sua vida, e só de começar a falar a sua voz trava e a lágrima vem nos olhos?

Ou já chegou a pensar em desistir de tudo? Jogar tudo pro alto?

É. Eu também.

E esses dias que estamos vivendo estão chegando perto de pensarmos em fazer algumas dessas atitudes. Mas é ai que lembro dos salmos, das inquietações, dos clamores e caminhando em meio as lutas, não paro, mas sigo caminhando e cantando: “O meu socorro vem do SENHOR”. Esse mesmo Deus que Isaías desafia a quem poderia o guiar, o mesmo Deus que está assentado sobre a terra. Aquele que Isaías incita a levantar os olhos e ver tudo que há, porque tudo ele fez. 

Aquele que Deus que diz: “tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”.

Este último texto, um pastor que ainda não conhecia me relembrou no dia do meu aniversário desse ano.  E esse mesmo pastor se encontra a mais de seis anos lutando contra uma enfermidade.

O meu Senhor é quem me guarda.

E outro pastor, já idoso, certa vez me disse: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer...” E este último pastor já se encontrava a mais de dois anos vivendo com Alzheimer.
             
O primeiro pastor relatado aqui, que me exortou com o texto que se encontra em Isaías 41:9-10, é o Pastor Ezequiel Ventura, o pai de Ellen, o meu sogro, ou melhor, o sogrão.
            
E o segundo pastor, que em meio aos esquecimentos do Alzheimer, me exortou com Eclesiastes 12:1, é o Pastor Diocênio, o pai de minha mãe, o meu avô, o meu pai, muitas vezes.
             
Meu avô vive os dias que diremos não tenho neles mais prazer. O pai de Ellen luta contra um tipo de Esclerose a mais de seis anos. Sai de Garanhuns domingo, vendo meu sogro numa cama de hospital debilitado fisicamente. Cheguei em casa segunda, vendo o meu avô sentado e não me reconhecendo e afirmando que nunca tinha me visto nessa idade que tenho.
            
E meio aos nossos vinte e poucos anos de vida, aprendo que esse é o tempo de viver pra glória de Deus e nos apegarmos nele. Porque? Porque ainda que nós andemos pelo vale da sombra da morte ele está conosco. Ele nos mantem fortes. Ele consola todo o nosso choro, enxuga todas as nossas lágrimas. Ele nos fortalece. Ele que nos uniu, e nos mantem unidos.
            
E paz para o rei do conto, e para todos os que estão em Cristo, e para nós agora mais que nunca, não é estar livre num lugar calmo e sereno; mas é estar dentro das lutas, dos problemas, das tribulações e permanecer firme em nossos corações, porque o nosso socorro vem do Senhor.
             
Orem por nós. Orem conosco.

Mas acima de tudo creiam conosco que o nosso redentor vive. E como dizia a canção “Se paz a mais doce me deres gozar, se dor a mais forte sofrer, oh! Seja o que for, tu me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou!”

Um xêro,

Hugo Galvão

PS. Este texto foi escrito na segunda feira, 28 de maio, à noite. Na terça feira, cedinho, Deus levou o Pr. Ezequiel ao seu encontro. É, ele não se encontra mais conosco e a saudade é gigantesca. Mas a fé continua a mesma, que o nosso socorro e consolo vem do Senhor. As lembranças que tenho com o meu sogro são poucas, porém após todos os relatos ouvidos e momentos vividos, não podemos não lembrar do que Paulo recitou a Timóteo: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

1 comentário

Anônimo

Esse texto me remete a dois sentimentos contraditórios: alegria e tristeza. Alegria porque os que estão no Senhor, ainda que meio as dores, desfrutam de uma paz que excede todo entendimento. E tristeza pelos que não conhecem ao Senhor e vivem em dores, lamentando-se e procurando paz em lugares que nunca irão encontrar.

Orando com vcs! :)


By: Mércia

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